Rinite ou sinusite: como saber a diferença
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Rinite é inflamação da mucosa que forra o nariz. Sinusite é inflamação dos seios da face, as cavidades de ar dentro dos ossos ao redor do nariz. Na prática, quem tem coceira no nariz, espirros em salva e secreção clara está quase sempre diante de uma rinite; quem tem dor ou pressão no rosto, secreção espessa e cheiro reduzido está diante de uma sinusite.
Rinite pode virar sinusite?
Os seios da face se abrem para dentro do nariz por passagens estreitas. Quando a mucosa do nariz incha, ela fecha essas passagens — e o que estava ventilando para de ventilar. Por isso a medicina hoje usa o termo rinossinusite: a inflamação raramente fica só em um dos dois lugares.
A consequência prática é direta: rinite mal controlada é uma das causas de sinusite de repetição. Tratar só a crise de sinusite, sem olhar para a rinite por trás, é o motivo mais comum de o problema voltar.
Como saber se é rinite?
- Coceira no nariz, nos olhos ou no céu da boca
- Espirros seguidos, principalmente de manhã
- Secreção clara, líquida, escorrendo
- Nariz entupido que muda de lado ao longo do dia
- Sintomas que aparecem em contato com poeira, mofo, cheiro forte ou frio
- Vem e vai por anos, sem febre
Como saber se é sinusite?
- Dor ou peso no rosto: em volta dos olhos, nas maçãs do rosto, na testa
- Secreção espessa, amarela ou esverdeada, pelo nariz ou escorrendo na garganta
- Cheiro diminuído ou ausente
- Sensação de pressão que piora ao abaixar a cabeça
- Pode vir com febre e mal-estar
Para o diagnóstico de rinossinusite, o critério é ter pelo menos dois desses sintomas, sendo um deles obrigatoriamente obstrução nasal ou secreção.
Sinusite aguda ou crônica: qual a diferença?
A conta é feita em semanas, e ela muda o tratamento:
- Até 12 semanas: rinossinusite aguda. A maior parte é viral e passa sozinha. Só uma pequena fração evolui para infecção bacteriana — entre 0,5% e 2% dos casos em adultos, e de 5% a 13% em crianças.
- Mais de 12 semanas: rinossinusite crônica. Aqui o problema deixou de ser uma infecção e passou a ser uma inflamação persistente, com outra abordagem.
É por isso que antibiótico não resolve a maior parte das sinusites: na maioria das vezes não há bactéria para combater.
Que exame diferencia rinite de sinusite?
A história costuma decidir. O exame do nariz completa: com endoscopia nasal dá para ver se sai secreção pelas passagens dos seios da face, se há pólipo e como está o septo. Radiografia de seios da face não é usada — o exame de imagem, quando necessário, é a tomografia, e ela fica reservada para casos crônicos, de suspeita de complicação ou de planejamento cirúrgico. Se a suspeita é de rinite alérgica, testes de alergia ajudam a identificar o que desencadeia as crises.
O nariz entupido de um lado só tem outra lista de causas — veja quais são.
Perguntas frequentes
Nariz entupido é rinite ou sinusite?
As duas entopem o nariz, então a obstrução sozinha não separa uma da outra. O que decide é o que vem junto: coceira e espirros em salva apontam para rinite; dor no rosto, secreção espessa e cheiro diminuído apontam para sinusite.
Rinite dá febre?
Não. A rinite vem e vai por anos sem febre. Quando aparecem febre e mal-estar junto com dor no rosto, o quadro aponta para sinusite.
Sinusite precisa de antibiótico?
Na maior parte das vezes, não. A maioria das sinusites agudas é viral e passa sozinha, e só uma fração pequena evolui para infecção bacteriana. Sem bactéria, não há o que o antibiótico combata.
Raio-X dos seios da face mostra sinusite?
A radiografia de seios da face não é usada para esse diagnóstico. Quando algum exame de imagem é necessário, ele é a tomografia — reservada para casos crônicos, suspeita de complicação ou planejamento cirúrgico.
Se o seu nariz vive entupido e você não sabe se é rinite, sinusite ou as duas, agende uma consulta para examinar o nariz por dentro e definir o tratamento.
Referências
- Fokkens WJ, et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020. Rhinology, Supplement 29, 2020.
- Romano FR, et al. Rhinosinusitis: Evidence and experience – 2024. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 2025.
- Solé D, et al. V Brazilian Consensus on Rhinitis – 2024. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 2025.